Leitores/colaboradores, Satiagraha e Tarso Genro

É impressionante a participação dos leitores no blog do Nassif. Não só nos comentando os posts do jornalista, mas também gerando conteúdo próprio, que eles mesmo expõem em alguma das comunidades ligadas ao blog (Comunidade do Blog, Verso & Prosa e Projeto Brasil). Alguns Nassif aproveita e coloca dentro do blog, seguido de algum (ou mesmo nenhum) comentário. É só olhar no começo de cada post para descobrir quem escreveu o quê. Alguns nomes de leitores/colaboradores já são bastante conhecidos dos frequentadores do site, como Stanley Burburinho, André Araújo, Professor e Índio Tupi.

 

Para se ter uma idéia do peso da contribuição, no dia 11 de novembro, cinco dos onze posts do dia são na verdade conteúdo gerado pelos leitores. Há ainda um post (diário) chamado “Fora de Pauta”, onde os leitores são convidados a levantar a bola sobre o que quer que eles achem interessante discutir. Simples, não?

 

Voltando ao que deve ser o conteúdo da análise desse blog, a mais recente intriga política que o Blog do Nassif acompanha (e que também é assunto desses montes de leitores/colaboradores) são os ecos da operação Satiagraha. Para quem acompanha minimamente o caso desde sua aparição e põe os acontecimentos em perspectiva, é notável a operação de sabotagem que essa operação sofre. Primeiro, a notícia dada pela Folha de que a PF estava investigando Daniel Dantas, o que obrigou o delegado Protógenes a antecipar as prisões dos principais investigados, antes previstas para acontecer só depois das eleições. Depois, os dois hábeas corpus concedidos por Gilmar Mendes, os grampos sem áudio que a Veja alardeou e nunca provou, o afastamento de Protógenes e Lacerda dos seus postos, e, finalmente, uma nova operação da PF para investigar (ou esvaziar) a própria Satiagraha.

 

A princípio, quem está agora com a faca e o queijo na mão é o ministro Tarso Genro. Ele pode ou refazer o inquérito da PF, eliminando qualquer empecilho que possa anulá-lo (o que os advogados de Dantas tentam desesperadamente) ou deixar que ele afunde sob os diversos problemas e acusações de que tem sido alvo, enterrando assim a maior oportunidade de punir não só uma das figuras centrais da corrupção nos altos círculos de poder dos últimos 20 anos, mas também toda a sua rede de influência (que cobre todos os setores do governo e mídia).

 

Luís Nassif parece crer que o ministro da justiça ainda pode fazer um bom trabalho. Em todo caso, levantou um nome que acredita ter fibra para agüentar toda essa pressão. Paulo Henrique Amorim, outro blogueiro que cobre ostensivamente o caso, acha que Genro já se curvou a realpolitik.

 

 

 


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